Uso de espessante em idosos com tosse ou engasgo: é sempre indicado?

A presença de tosse e/ou engasgo durante ou após a ingestão oral em idosos é um sinal clínico sugestivo de alteração na segurança da deglutição, mas não indica, por si só, a necessidade do uso de espessantes. A disfagia em idosos pode estar associada a fatores fisiológicos do envelhecimento (presbifagia), a condições neurológicas, doenças sistêmicas ou efeitos colaterais de medicamentos, sendo imprescindível uma avaliação fonoaudiológica criteriosa para determinar a conduta adequada.

O uso de espessantes tem como finalidade modificar a viscosidade dos líquidos, promovendo maior controle do bolo alimentar durante as fases oral e faríngea, reduzindo o risco de penetração e/ou aspiração laringotraqueal. Contudo, essa estratégia não é universal e deve ser aplicada apenas após avaliação clínica e/ou instrumental (videofluoroscopia ou nasofibrolaringoscopia da deglutição), que identifique dificuldade específica no manejo de líquidos finos e confirme benefício com a modificação de consistência.

Além disso, é necessário considerar aspectos como capacidade de hidratação, aceitação do idoso e impacto funcional na qualidade de vida, uma vez que o uso indiscriminado de espessantes pode gerar baixa adesão, desidratação e redução do prazer alimentar. Em alguns casos, outras estratégias compensatórias, como ajustes posturais, treino de manobras facilitadoras e reabilitação motora, podem ser mais eficazes e menos restritivas.

Portanto, nem todo idoso que apresenta tosse ou engasgo deve utilizar espessantes. A conduta deve ser individualizada, baseada em avaliação fonoaudiológica especializada e centrada no equilíbrio entre segurança clínica, eficácia da deglutição e qualidade de vida do paciente.

Cláudia Rossi  – CRFa 1-11140-3

 

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