Atuação fonoaudiológica em pacientes com alimentação exclusiva por GTT ou SNE
A atuação da Fonoaudiologia é essencial mesmo nos casos em que o paciente se alimenta exclusivamente por meio de gastrostomia (GTT) ou sonda nasoenteral (SNE). O trabalho do fonoaudiólogo não se restringe à reabilitação da alimentação via oral, pois envolve uma atuação ampliada para as funções orofaciais, da deglutição e da comunicação, considerando o quadro clínico global e os objetivos terapêuticos individualizados.
Inicialmente, é imprescindível que o profissional compreenda de forma abrangente o contexto clínico que levou à necessidade de alimentação por via alternativa. Essa análise inclui a identificação da etiologia da disfagia, o prognóstico médico, o grau de reatividade oral, a segurança e eficácia da deglutição, além dos aspectos cognitivos e motores associados.
Mesmo na ausência de ingestão oral, muitos pacientes apresentam episódios recorrentes de engasgos com secreções orais ou salivares, o que pode gerar risco de broncoaspiração silenciosa ou evidente. Nesses casos, o fonoaudiólogo atua diretamente na organização da função de deglutição, promovendo estratégias de manejo salivar, estimulação sensório-motora-oral, reabilitação das fases da deglutição e orientações posturais, quando indicadas.
Além disso, muitos pacientes com alimentação enteral também apresentam comprometimentos na linguagem, na fala ou na comunicação funcional. A intervenção pode incluir desde a estimulação da comunicação oral, quando possível, até a introdução de sistemas suplementares ou alternativos de comunicação, respeitando as possibilidades neuromotoras e cognitivas do indivíduo.
Portanto, a atuação do fonoaudiólogo é ampla, multidisciplinar e indispensável nesses contextos, visando à prevenção de complicações clínicas, à promoção de qualidade de vida e à possibilidade futura de transição segura para via oral, quando viável.
Cláudia Rossi – CRFa 1-11140-3